História

Cananéia cidade histórica a primeira região povoada do País, marcada por conflitos entre aventureiros e piratas espanhóis, portugueses e franceses para a exploração das riquezas naturais desse novo continente. Principalmente Portugal e Espanha as duas maiores potencias da época. Para garantir maiores recompensas, Portugal enviou uma frota de navios em busca de ouro para essa terra ainda enexplorada.

E em 24 de janeiro de 1502, chega aqui a expedição exploratória com Gaspar de Lemos e Américo Vespúcio no comando, visando reivindicar e demarcar as novas terras e o local recebeu o nome de Barra do Rio Cananor. Esta expedição trazia misterioso Bacharel Mestre Cosme Fernandes, figura obscura da história brasileira, conhecido como Bacharel de Cananéia, o qual transfomou-se em uma figura poderosa na região, vindo a possuir muitos escravos e não prestando obediência alguma a coroa portuguesa.

Anos mais tarde, a Coroa Portuguesa decide enviar mais uma de suas expedições à colônia, sob o comando de Martim Afonso de Souza. A armada atracou na Ilha do Bom Abrigo, em Cananéia, em 1531 e chegou na comunidade de Maratayama ( Antigo nome de Cananéia registrado no diário de navegação da expedição)  lá encontrou já constituído um povoado junto ao Bacharel, alguns europeus cerca de duzentos mestisos e mil indígenas. Este ano foi considerado mais tarde como data da fundação oficial da Vila. Porém, devido à falta de documentos consistentes que comprovem tal feito, fica estabelecida a controvérsia sobre qual seria a cidade mais antiga do Brasil: Cananéia ou São Vicente que também foi fundada por Martim Afonso, em 22 de janeiro de 1532, conforme incontestáveis documentações.

Em 1534, depois do massacre dos integrantes da entrada de Pero Lobo pelos Carijós nas margens do rio Iguaçu, logo depois de partirem de Cananéia em 1 de setembro de 1531, Pero de Góis intimou os espanhóis a entregarem o Bacharel de Cananéia e
prestarem obediência a coroa de Portugal e ao governador Martim Afonso de Sousa, em trinta dias, sob pena de morte e de confisco de bens. Moschera disse em resposta que não reconhecia a jurisdição da Coroa portuguesa, uma vez que se encontrava em terras de Castela, criando assim um impasse.
 
Com a suspeita de um ataque pelos portugueses, Moschera e o Bacharel, apoiados por duzentos indíos flecheiros, capturaram um navio corsário francês que pouco antes aportara em Cananéia, apoderando-se de suas armas e munições. Em seguida, os fizeram cavar uma trincheira em frente ao povoado de Iguape, protegendo-a com quatro peças de artilharia do navio francês. Na sequência, colocaram vinte espanhóis e cento e cinquenta indíos emboscados no manguezal da barra do Icapara, aguardando os portugueses.

Estes vieram compostos por oitenta homens e ao desembarcar foram recebidos sob o fogo da artilharia. Na retirada, os sobreviventes foram surpreendidos pelas forças espanholas emboscadas na foz do rio, onde os remanescentes pereceram, sendo gravemente ferido o seu capitão Pero de Góis, por um tiro de arcabuz. Esta batalha ficou conhecida na história como o Entrincheiramento de Iguape.

Vitoriosos, no dia seguinte os espanhóis embarcaram no navio francês e atacaram a Vila de São Vicente, que saquearam e incendiaram deixando-a praticamente destruída, matando dois terços dos seus habitantes. Após os ataques, ambos fugiram para a Ilha de Santa Catarina, Moschera retornou ao Rio da Prata e o Bacharel Fernandes para Cananéia. Esta, ficou conhecida como a Guerra de Iguape.

Em 1577, devido as ameaças constantes de invasão, foi construída uma igreja na Praça Martim Afonso de Sousa com grandes muros largos e sem janelas, propositalmente para servir não só de igreja mas também de Forte.

O local foi elevado a Vila em 1600, recebendo o nome de São João Batista de Cananeia e só foi elevada a categoria de cidade em 1892, passando a ter o nome de Cananéia em 1905.

Cananéia tem hoje no turismo e na pesca suas principais atividades além de possuir dentro dos seus limites seis unidades de conservação ambiental importantes e de ser um importantissimo núcleo urbano tombado como Patrimônio Histórico pelo CONDEPHAAT, onde se preserva casarões restaurados e ruínas conservadas um patrimônio de valor incalculável, vistos como um marco junto ao descobrimento do Brasil.

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