História

A ilha de Santo Amaro conhecida hoje como Guarujá teve vários tipos curiosos como habitantes, os primeiros são os homens dos sambaquis, grupo humano semi-nômade que habitou o litoral sul/sudeste brasileiro após o final da Era Glacial. Este povo vivia do que achavam na natureza coletavam moluscos, conchas, mexilhões e demais alimentos marinhos, bem como alimentos vegetais e caça de pequenos animais e peixes. Tempos mais tarde a ilha passou a ser visitada por índios Tupi que deram a ela seu primeiro nome, eles a chamavam de Guaibê (lugar de carangejos) e também Guaru-ya (passagem estreita). Esse grupo não habitou a ilha eles
permaneciam aos aredores da Serra do Mar e no Planalto Paulista, mas sempre passavam na ilha para pescar e coletar sal.

Os primeiros europeus chegaram na ilha no dia 22 de Janeiro 1502 . André Gonçalves e Américo Vespúcio aportaram na praia de Santa Cruz dos Navegantes, depois seguiram viagem até a ilha de São Vicente.

A ilha de Santo Amaro era pantanosa e acidentada, por esse motivo não atraiu a atenção dos colonizadores portugueses, que preferiram centrar seus esforços na ilha vizinha São Vicente, esta bem mais ampla e salubre e contando com um acesso ao Planalto
privilegiado a São Paulo através de trilhas indígenas. Apesar do desinteresse, alguns colonos portugueses acabaram se instalando na costa ocidental de Santo Amaro, sobrevivendo de agricultura de subsistência, pesca e reparos de embarcações que eram utilizadas no estuário de Santos. E em 1540 foi fundado o primeiro povoado da Ilha de Santo Amaro por Estevam da Costa e Jorge Ferreira.

Em 1543, quando houve a primeira divisão territorial brasileira, toda a região entre a ilha de Santo Amaro e a barra do rio Juqueririê (futuros municípios de Guarujá, Bertioga e parte de São Sebastião) foi doada a Pero Lopes de Sousa por seu irmão Martim Afonso de Sousa sob o nome de capitania de Santo Amaro. A capitania, não tinha recursos naturais de importância e nem ligações com o
Planalto, assim sendo não se desenvolveu.  As únicas ações visando ocupar o território são a instalação em 1545 do primeiro engenho de cana-de-açúcar, a construção da Capela de Nossa Senhora da Apresentação, e a construção da Capela Santo Amaro (dando nome definitivo a Ilha). E em 1552 a construção dos Fortes de São João e São Filipe, destinados a proteção do porto de Santos, uma beneficiadoria de óleo de baleia no extremo norte da ilha em 1699, na desembocadura do Canal de Beritoga e a ação de alguns grupos de jesuítas para a cataquese dos índios.

Durante toda a fase Colonial e Imperial a ilha não atraiu muita atenção, e ficou povoada apenas por colonos e por pequenos sítios destinados a esconderijo de escravos contrabandeados da África. Com características de vegetação tropical e muitos mangues, charcos e pântanos em seu interior transformavam a ilha em um local insalubre e inóspito, principalmente mais para o seu interior, dificultando a locomoção dessa região até a área onde se localizavam as belíssimas praias.

Apesar de todas as dificuldades da região, com o objetivo de fundar a Vila Balneária de Guarujá, a Companhia Prado Chaves instalou, em 1892, a Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro. Uma estrada de ferro ligava o Estuário de Santos à nova Vila. O transporte de passageiros era feito da estação da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí ao atracadouro do Balneário, em Itapema, por duas barcas.
Apesar das praias do Guarujá serem muito belas no final do século XIX, elas eram totalmente desertas, já que o acesso à região era muito difícil. Mesmo assim em 2 de setembro de 1893, o Dr. Elias Fausto Pacheco Jordão fundou a Vila. A idéia era formar um ambicioso empreendimento que, somando atrações e melhoramentos, pudessem transformar a região da praia de Pitangueiras em pólo de atração de turistas, e com isso os terrenos pertencentes à Companhia fossem vendidos. Dessa forma a ferrovia cresceu, assim como o movimento no Guarujá, embora seja irônico que o "iniciador" de todo esse desenvolvimento, o "Grand Hotel La Plage", com todo seu esplendor tenha sido consumido pelo fogo em 1897, e mais tarde substituído por uma construção bem inferior ao requinte de outrora, inclusive de gosto duvidoso. Porém, a essa altura o Guarujá já estava em uma trajetória de desenvolvimento.

No final do século XIX, com o surgimento do turismo, o desenvolvimento da economia paulista e a existência de um acesso ferroviário rápido e fácil entre o litoral e o Planalto Paulistano provocaram um novo interesse pela ilha de Santo Amaro.

Já no início do século XX era muito comum o transporte da banana produzida na região, além do turismo, que sempre foi o carro-chefe, a banana e a pesca eram os principais meios de subsistência dos moradores, o que mantinha a cidade. Na época havia apenas núcleos de pescadores, que também atuavam na cultura da fruta. A banana era tão importante na economia de Guarujá naquela época que havia a eleição da Miss Banana. O Jardim Santo Antônio, assim como a maioria dos bairros atuais da Cidade, eram na verdade um imenso bananal.

O Guarujá foi então integrado ao município de Santos em 1931 ficando assim até 1934, quando o governador Armando Salles de Oliveira criou a Estância Balneária do Guarujá. Em 1953 a antiga Vila tornou-se distrito e recebeu o nome de Vicente de Carvalho, em homenagem ao poeta santista. O acesso direto pelo continente, via Cubatão, somente foi viabilizado no final da década de 60, devido ao terreno de mangue, que dificultava a construção de estradas estáveis.  A opção mais viável de acesso ao Guarujá consistia em
atravessar o estuário em frente ao porto de Santos, atingindo-se Itapema,  já na ilha de Santo Amaro, e daí seguir até a cidade do Guarujá.

Com a deterioração da estação férrea original do Guarujá construída em 1893 entre a praia e o Grande Hotel, foi necessário se construir uma nova, e o local escolhido foi outro: o antigo pátio de cargas do bonde, na avenida Leomil, a dois quarteirões da praia. Em 3 de julho de 1934 foi criada a Estância Balneária do Guarujá, evento que motivou a realização de melhorias no serviço do Tramway
do Guarujá.
Decidiu-se então construir uma nova estação e oficinas, localizadas agora na Av. Leomil, a dois quarteirões da praia. Elas foram inauguradas a 21 de dezembro de 1935. Com a inauguração do novo prédio o velho foi desativado e demolido.

Hoje, no município de Guarujá, a avenida que corre paralela à praia da Enseada, uma das mais importantes da cidade, chama-se Miguel Estéfano. Ele chegou ao Brasil em 1879, já em 1906 com 44 anos, criava no bairro do Jabaquara uma das primeiras tecelagens industriais do Brasil, a Pereira & Estéfano. Quando morreu, em 1951, Miguel Estéfano era um dos maiores proprietários de terra do Estado de São Paulo. No Guarujá, onde fica a avenida com seu nome, metade da praia da Enseada era sua, 7 milhões de metros quadrados. A primeira casa da praia da Enseada foi dele. É onde funciona hoje o Hotel Casa Grande. Durante anos o hotel pertenceu à família, administrado por Carlos Eduardo Estéfano, filho de Ignácio Estéfano e neto de Miguel. Quando Miguel Estáfano faleceu na sua casa no Guarujá, no dia 14 de Fevereiro de 1951, a imprensa registrou que ele deixava 8 filhos, 25 netos e que tinha a quinta ou sexta fortuna de São Paulo.

Uma filha de Miguel, Maria Estéfano, se casou com Salim Farah Maluf, teve cinco filhos (um desses filhos é Paulo Salim Maluf) e herdou cerca de 500 mil metros quadrados de frente para o mar, na Enseada. Hoje estão construídos ali um supermercado e vários conjuntos de apartamentos.

Com a inauguração de um serviço de "Ferry Boat" entre Santos (ponta da praia) e o outro lado, as pessoas começaram a chegar ao Guarujá em seus próprios carros, inegavelmente algo muito mais confortável e ágil que uma ferrovia a vapor.

A estrada de rodagem que ligava Santa Rosa, até o Guarujá havia sido asfaltada. Dessa forma, os passageiros podiam seguir de Santos até o Guarujá sem precisar baldear por uma barca e de lá, para o bonde; sem dúvida uma comodidade que aumentou decisivamente a competitividade do transporte rodoviário. O serviço de bondes acabou por ser interrompido a 13 de julho de 1956. O tráfego dos bondes e da locomotiva foi paralisado definitivamente e a estação, desativada. Por volta de 1982, foi iniciada a demolição da estação.

Os bondes foram transferidos para a E. F. Campos de Jordão, onde trabalham até hoje, e apenas uma de suas locomotivas está exposta na avenida Leomil, em Pitangueiras, no Guarujá.

Em 1947 as prefeituras sanitárias foram extintas e Guarujá tornou-se município.

Com a extinção dos jogos de azar pelo governo de Eurico Gaspar Dutra e a construção da Via Anchieta que liga a Baixada Santista a São Paulo foi modificada a ocupação da ilha.
A antiga vila balneária começa a se modificar com a chegada de maiores numero de de turistas e novos moradores. Edificios começam a ser construidos na orla de Pitangueiras e Astúrias e praias até então desertas, como Enseada, Pernambuco e a do Perequê começam a ser visitadas. Paralelamente, migrantes nordestinos começam a vir para a ilha a procura de emprego, se fixando na região do velho forte de Itapema, dando origem ao distrito de Vicente de Carvalho.

Entre as décadas de 70 e 80 Guarujá cresceu descontroladamente. Toda a orla da cidade entre a praia do Tombo e Pernambuco foi ocupada por diversos loteamentos e edificios, sem a necessária infra-estrutura. O Milagre Econômico dos anos 70 e a construção da Rodovia Piaçagüera-Guarujá, ligando a ilha diretamente a Via Anchieta e em menor grau as novas rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga (possibilitando o acesso ao Vale do Paraíba e Litoral Norte) provocaram a explosão do turismo e da migração ao Guarujá.  A qualidade ambiental com isso foi caindo, com poluição das águas, ocupação de áreas sensíveis como morros e mangues e o número cada vez maior de turistas, moradores e migrantes sobrecarregam o municipio.

Um dos principais pontos de referências da cidade é o Morro do Maluf, entre as praias das Pitangueiras e da Enseada. Mas nada tem a ver com a família Estéfano. O morro pertencia a Edmundo Maluf, industrial em São Paulo, solteiro, que tinha casa na ladeira do morro e dava festas memoráveis que agitavam os fins de semana do Guarujá.

Em janeiro de 1973 ocorrereu um fenômeno natural na Ilha de Santo Amaro que mudariou significativamente a geografia urbana da cidade. A estação dos temporais chegou causando estragos em todo Litoral Paulista com ventos forte, trombas d’água e excesso de umidade.

O Morro da Glória, que dêsde a década de 50 era habitado por barracos e famílias humildes, sofreu um desmoronamento causado pelo clima, mas sem deixar mortos. Tal situação colocou não só o prefeito Raphael Vittielo como as autoridades locais em alarde, pois temiam pelas vidas lá existentes. Nas semanas seguintes, as famílias do Morro da Glória foram removidas para áreas
de Vicente de Carvalho e Guarujá, depois transferidas para uma área de bananal denominada Cachoeira dos Macacos, de propriedade da Sabesp, criando a "Vila Zilda". Dona Zilda Natel era esposa do governador Laudo Natel, que cedeu provisoriamente aquele local para assentamento aos antigos moradores do morro.

O que era para ser provisório tornou-se definitivo e no dia 15 de Janeiro de 1978 um novo deslizamento provocado pela temporada de chuvas ocorreu no morro da cachoeira deixando isolados os moradores de Vila Zilda. O acesso foi interditado por toneladas de terra, rochas e vegetação, prejudicando a todos e deixando em colapso o abastecimento do comércio ali existente. No final da década de 70 havia na Vila Zilda cerca de 700 barracos e outras novas invasões. A ironia do bairro era o fato de estar em área da Sabesp e não ter água encanada.

A situação se tornou crítica no final da década de 80 e início de 90, quando milhões de turistas começaram a visitar a ilha todos os verões, provocando um colapso na infra-estrutura do Guarujá, começaram os problemas como; falta de eletricidade, água, poluição das praias e surgimento da criminalidade. O cenário se tornou caótico e levou o municipio a uma profunda crise no turismo e na
economia. O Guarujá começa a perder turistas e investimentos para o Litoral Norte e também para outras cidades da Baixada Santista.

Só na segunda metade da década de 90 é que começa uma recuperação progressiva, com investimentos em saneamento, habitação, infra-estrutura. E com a divisão dos turistas a outras regiões acaba tendo um sobrecarregamento menor, lentamente começa a receber novos investimentos e começa a desenvolver o turismo de negócios e a prestação de serviços, visando a expandir sua base econômica  se tornando menos dependente do turismo sazonal.

Hoje porém seus governantes sabem que o presente e futuro da ilha estão no turismo, a principal fonte de receita do Guarujá. Por isso, procuram apresentar bem a cidade, suas ruas centrais asfaltadas, os jardins da praia das Pitangueiras sempre muito bem cuidados e ornamentados por uma belissima fonte luminosa e quiosques.

Como é conhecida internacionalmente por suas belezas naturais, com praias e paisagem sofisticadas, Guarujá atrai milhares de turistas e, dia a dia, confirma seu apelido carinhoso de: "A Pérola do Atlântico".

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