História

Pesquisas realizadas pelo Projeto Arqueológico de Ilhabela desde o fim da década de 90 mostram que pelo menos quatro das ilhas do arquipélago de Ilhabela já eram habitadas muito antes da chegada dos europeus ao Brasil. Isso só aconteceu graças à descoberta de sítios arqueológicos pré-coloniais denominados "concheiros", "abrigos sob rocha" e "aldeias indígenas". Esses "concheiros" permitiram que os arqueólogos concluíssem que os primeiros habitantes do arquipélago foram o que eles chamam "homens pescadores-coletores do litoral", indígenas que não dominavam a agricultura e nem a produção de cerâmica, sobreviviam apenas do que coletavam na natureza, especialmente animais marinhos. Não existe ainda as datas de nenhum desses "concheiros". Também foi encontrada na Ilha de São Sebastião no bairro do Viana grande quantidade de cerâmica indígena da tradição Itararé, possivelmente produzida por indígenas do tronco lingüístico macro-jê. Apesar de os indígenas da família lingüística tupi-guarani terem dominado, por
muitos anos, o litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, não há, até o momento nenhuma confirmação arqueológica ou bibliográfica de que eles tenham estabelecido alguma aldeia nas ilhas do arquipélago de Ilhabela. Talvez isso explique porque esses indígenas chamavam a Ilha de São Sebastião de Maembipe, o que significa “local de resgate de prisioneiros e troca de mercadorias”. A
escolha de um local neutro para a troca tanto de prisioneiros quanto de mercadorias é um costume tribal antigo que existe ainda hoje em alguns países como África, Ásia, Oriente Médio e até aqui no Brasil na região da Amazônia.

A história colonial de Ilhabela começa com a chegada da primeira expedição de exploradores, comandada por Gonçalo Coelho e tendo a bordo o conhecido navegante italiano Américo Vespúcio. Composta por 3 caravelas enviadas por Portugal à Terra
de Santa Cruz
chegou aqui no dia 20 de janeiro de 1502, dia consagrado a São Sebastião pela igreja, encontraram uma grande ilha que segundo o aventureiro alemão Hans Staden, era chamada pelos tupis de Maembipe ("lugar de troca de mercadorias e resgate de prisioneiros"). A essa ilha, assim como feito em outros acidentes geográficos importantes, os membros da expedição batizaram com o nome do santo do dia, São Sebastião. Também se diz que a mesma era chamada pelos indígenas por Ciribaí (lugar tranquilo).

Francisco de Escobar Ortiz que tentara, sem sucesso, estabelecer-se em outra ilha, a da Vitória do Espírito Santo, foi o primeiro povoador da Ilha de São Sebastião. Onde recebeu cem léguas de terra de Pero Lopes de Souza donatário da capitania e assim construiu ali os dois primeiros engenhos de açúcar da Ilha de São Sebastião, porém sua principal atividade era o comércio de escravos que eram trazidos por um navio de sua propriedade diretamente de Angola.

O aumento de população na Ilha de São Sebastião ocorreu na segunda metade do século XVIII, nessa ocasião um pequeno povoado começou a surgir no local onde hoje se conhecemos como o centro turístico de Ilhabela. Por volta de 1785, esse povoado foi elevado à condição de capela (designação colonial para o primeiro estágio de um povoamento), e recebeu o nome de Capela de Nossa Senhora D´ajuda e Bom Sucesso.
No final do século XVIII, com a crise do ciclo do açúcar, a Ilha de São Sebastião contava com uma população de tres mil habitantes espalhada por todo o seu território, cujos líderes iniciaram um movimento de emancipação, liderado pelo capitão Julião de Moura Negrão, pelo Alferes José Garcia Veiga e pelo senhor de engenho Carlos Gomes Pereira. Movimento este que sensibilizou , o capitão-general (cargo equivalente, nos dias de hoje, ao de governador). Antônio José da Franca e Horta baixou, em 3 de setembro de 1805 a portaria elevando a antiga Capela de Nossa Senhora D'ajuda e Bom Sucesso à categoria de Vila. Por indicação do próprio Franca e Horta, a nova vila seria chamada Vila Bela da Princesa, em homenagem à Princesa da Beira, a Infanta Dona Maria Teresa Francisca de Assis Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança, filha mais velha de D. João VI e D. Carlota Joaquina, irmã de D. Pedro I. Vila Bela da Princesa foi oficialmente instalada no dia 23 de janeiro de 1806. Nessa épóca começava um novo período no ciclo econômico da Vila Bela da Princesa: o do café plantado, colhido, torrado, ensacado e embarcado por mão-de-obra exclusiva e unicamente de escravos. Nessa época o comércio de escravos já era proíbido por autoridades internacionais, sendo realizado apenas de forma clandestina, eles utilizavam a Baía de Castelhanos para o desembarque de escravos contrabandeados.

Após sua emancipação, Vila Bela da Princesa experimentou 80 anos de abundância e grande poder econômico, graças à agricultura principalmente com o café, plantado em cerca de 30 fazendas espalhadas pelas Ilhas de São Sebastião e dos Búzios. Sua população ultrapassou rapidamente a casa de 10 mil habitantes. Seus fazendeiros enriqueceram, o comércio era próspero e a vida sociocultural intensa. Em compensação essas décadas de plantio extensivo de café deixaram o meio ambiente com alto índice de degradação. A produção sem qualquer sustentação ecológica – de açúcar e de café, além de absolutamente nada deixar econômicamente para as gerações futuras, provocou não só grande devastação da Mata Atlântica, como também acarretou na extinção de espécies animais e vegetais de um ambiente insular único no País.

Foram vários os motivos que inviabilizaram a cafeicultura em Ilhabela. O último deles foi a Abolição da Escravidão, em 13 de maio de 1888. Isso porque toda a mão de obra empregada na atividade era escrava .

Vila Bela da Princesa e o Litoral Norte entraram nessa época em um período de longa estagnação econômica, que durou por quase 70 anos; o que acabou permetindo com que a natureza, por si mesma, conseguisse recuperar uma grande e significativa parte da floresta que havia sido devastada pela agricultura.

A partir do século XX Vila Bela começa a ganhar força com a produção de cachaça, que era fabricada em 13 engenhos – ou fábricas de aguardente; sendo na maioria movida por rodas d’água. A cachaça era mandada em pipas, principalmente para Santos, por meio de uma flotilha de grandes canoas de voga, juntamente com os excedentes agrícolas produzidos pelas roças de subsistência.

Com grave crise econômica pela qual atravessava o país o governo do Estado de São Paulo resolveu realizar em 1934 uma reestruturação na divisão territorial do estado, extinguindo 18 municipios os quais a arrecadação não era suficiente para arcar com os próprios gastos administrativos, dentre as quais estava Vila Bela da Princesa (cujo nome já havia mudado para Vila Bela), que passou à categoria de distrito e foi anexado ao município de São Sebastião. Houve então uma grande revolta e sete meses depois o governo do estado se viu obrigado a elevar Ilha Bela da Princesa novamente a município e em 05/12/1934 foi revogada a extinção do município, por imposição de governo de Getulio Vargas em 1º de janeiro de 1939. Ela passou a se chamar Vilabela e depois de pouco mais de um ano o presidente da República, o mesmo Getúlio Vargas, determinou, sem qualquer justificativa, que Vilabela passaria a chamar-se Formosa, mas a formalização do nome só veio em 04/05/1940. Com isso os moradores ficaram inconformados e iniciaram um movimento popular contra o novo nome e então em 30/11/1944 o governo estadual baixou o decreto nº 14334, mudando novamente o nome do município, passando a se chamar Ilhabela a partir de 1º de janeiro de 1945.

Na segunda metade da década de 1950, a produção da cachaça começou a declinar, sendo inviável econômicamente sua continuidade a mesma foi encerrada definitivamente em meados da década de 1970.

Apesar de sua inviábilidade econômica para o plantio, por ter um relevo geográfico difícil, não foi seu fim econômico. Porque na verdade isso acabou proporcionando uma recuperação significativa do meio ambiente e da Mata Atlântica. Com a natureza restaurada, com a implantação do ferry boat entre 1950 e 1960 e além das disso as melhorias nas estradas da região ligando São José dos Campos a Caraguatatuba e esta a São Sebastião. O turismo alavancou econômicamente Ilhabela e toda a região, pois seus primeiros moradores vieram da capital e pertenciam a um grupo seleto de paulistanos, em 1956 fundaram o Yacth Club de Ilhabela.

Em seguida começou a pavimentação da SP-55 – rodovia Dr. Manoel Hypóllito do Rego – que na década de 1980, provocou um grande aumento na construção civil voltada mais própriamente para a edificação de residências de veraneio e, em conseqüência disso, Ilhabela e as demais cidades do Litoral Norte receberam um grande aumento de migrantes vindos de diversos Estados brasileiros. Com esse crescimento do turismo em Ilhabela nas décadas de 1970 e 1980, a população local foi se afastando do mar e se aproximando da mata. Assim, os turistas foram se apropriando das casas próximas ao mar e essas foram perdendo aquele ar pitoresco: essas residências com extensos quintais, antes utilizados para plantações pelos caiçaras, começaram a ser utilizados pelos turistas para lazer.

Não podemos nos esquecer que não só a rodovia, mas também o mar proporcinou o turismo, a primeira escala de navios de cruzeiros em Ilhabela foi no ano de 1994 pela companhia Costa Cruzeiros – representada no Brasil pela Agaxtur na época. Essa escala realizou-se de forma improvisada e um tanto insegura, pois nâo havia píer para receber a mesma, foi lançado então um flutuante (bote) do navio para o desembarque dos cruzeiristas. Hoje essa prática não mais é adotada, pois não é permitido pelo seguro dos navios que exigem alto nível de segurança e de serviço aos passageiros dos mesmos. Naquela época também não existiam os stands como estrutura,( aquelas pessoas que aguardam os turistas para divulgar e comercializar os passeios e tours, e nem material informativo); os próprios cruzeiristas desembarcavam e procuravam as lojas (agências) para comprar passeios e contratar caiçaras que aceitassem servir de guias. Porém com o crescimento dos cruzeiros marítimos em todo a costa brasileira, e em Ilhabela, houve o início da implantação do receptivo no píer do centro da cidade.

Com tudo isso uma cidade que deveria contar com um número pequeno de moradores, na alta temporada assemelha-se as grandes cidades, em função da população flutuante que recebe constantemente. Pois o turismo é hoje a principal atividade econômica do município.

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