História

De acordo com registros históricos, Martim Afonso de Sousa e sua tripulação não foram os primeiros portugueses a viver em São Vicente. Os primeiros foram João Ramalho e mestre Cosme Fernandes (o Bacharel) provavelmente eles eram tripulantes da armada
de Francisco de Almeida que desembarcou aqui em 1493. Eles montaram um pequeno povoado que começou a ser reconhecido na Europa como eficiente ponto de parada para reabastecimento e tráfico de índios escravos. Viviam em harmonia com os índios e exerciam o livre comércio com os aventureiros que para cá vinham, fornecendo-lhes farinha de mandioca, milho, carne, frutas, água e artefatos de couro, e recebendo em troca roupas, armas e ferramentas. Tanto que o porto que aqui existia já constava em um mapa feito em 1501 e trazido por Américo Vespúcio na expedição de Gaspar de Lemos, que aqui chegou em 22 de janeiro de 1502 e batizou o local como São Vicente, em homenagem a São Vicente Mártir.

Quando começou sua viagem Martim Afonso de Sousa não veio diretamente para São Vicente, a viagem pela costa brasileira durou quase um ano e só em 20 de janeiro de 1532, a esquadra viu surgir a Ilha de São Vicente. Mas devido ao mau tempo, a entrada dos navios na barra e a chegada à terra firme só aconteceu no dia 22 de janeiro. Nesse mesmo dia, 30 anos antes, a expedição do navegador português, Gaspar Lemos, já havia chegado aqui e batizado o local como São Vicente, em homenagem a São Vicente Mártir. Martim Afonso de Sousa, católico fervoroso, resolveu manter o nome.

Assim, após batizar o local oficialmente como Vila de São Vicente, Martim Afonso de Sousa adotou as medidas recomendadas pelo Rei de Portugal, organizou um sistema político-administrativo nas novas terras, instalando aqui a Câmara, o Pelourinho, a Cadeia e a Igreja, símbolos da colonização e bases da administração portuguesa.

O título de Vila representava mais benefícios para São Vicente, já que esse era o termo utilizado pelos portugueses para designar uma cidade organizada. É desse fato que deriva o título vicentino de Cellula Mater da Nacionalidade, ou Primeira Cidade do Brasil.

Pela importância estratégica do local, Martim Afonso de Sousa coordenou, em 22 de agosto de 1532, as primeiras eleições populares das Três Américas, instalando a primeira Câmara de Vereadores do continente. Por esse motivo, São Vicente é considerado o berço da democracia americana.

O navegador português também foi o pioneiro na reforma agrária no Brasil, pois mandou demarcar terras e as distribuiu em lotes aos colonos, quatro séculos antes do tema movimentar a classe política e a sociedade. Começou-se, então, o cultivo organizado de vários produtos, com destaque para o trigo, a vinha e a cana-de-açúcar. Para dar estimulo ao setor açucareiro, Martim Afonso de Sousa mandou erguer um pequeno engenho movido à água no centro da Vila, o primeiro engenho do Brasil. Ao mesmo tempo, plantou a semente da industrialização e do desenvolvimento agrícola que fez com que, por volta do século XVII, São Vicente fosse conhecido como "o celeiro" do País. A agricultura prosperava nessa fase. Os índios cultivavam a mandioca, o milho, o arroz, o algodão e várias espécies de batatas. Além disso, eles industrializavam a farinha de mandioca e produziam um variado artesanato. O algodão nativo passou a ser cultivado, dando origem à indústria caseira de tecido.

O progresso da Vila era tanto que muitos colonos portugueses pensaram em mandar buscar as famílias que haviam deixado para trás. Foram tempos de glória, pois todo o movimento econômico da Ilha e redondezas era concentrado aqui. São Vicente abrigou o primeiro empório marítimo da costa. Também foi daqui que saíram as primeiras expedições portuguesas para o Interior, inclusive a que fundou a Vila de São Paulo de Piratiniga.

São Vicente se desenvolveu muito a partir do século XX devido ao turismo de veraneio, apesar de ser uma das primeiras vilas do Brasil não guardou muitos vestígios de sua antiga história.
 

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